Os seres vivos relacionam-se entre si e estabelecem interações em maior ou menor grau. Um exemplo deste tipo de interação é o parasitismo que envolve populações distintas, onde uma das espécies vive a custas da outra causando doença ou dano e nesta interação co-evoluem.
Uma destas espécies é o parasita, do latim parasitus, derivado do grego παράσιτος; παρά [para] “junto à” e σῖτος [sitos], “alimento”, ou seja, aquele que se alimenta junto e a outra espécie é o hospedeiro, do latim hospes, que significa “aquele que recebe” eiro [sufixo], qualidade, ou seja, qualidade de quem recebe.
Do ponto de vista ecológico o parasitismo é amplamente distribuído na natureza. O ramo da Biologia que se dedica aos estudos dos parasitas, hospedeiros e a relação entre eles é chamada Parasitologia cujas especialidades são: taxonomia, entomologia, protozoologia, helmintologia, epidemiologia parasitária, imunologia parasitária, medicina tropical e medicina veterinária parasitária.
Por volta de 1860, à parasitologia ganha qualidade de ciência com o estabelecimento de seus fundamentos, momento em que os parasitas são reconhecidos como responsáveis por inúmeras doenças no homem e nos animais domésticos. A partir de então admiti-se também que as doenças parasitárias sempre estiveram presentes durante a evolução humana. Assim, foi elucidada a cadeia de transmissão das infecções parasitárias representada pela tríade Agente Etiológico-HospedeiroAmbiente (Fig.01) e os fatores relacionados a cada um deles

& FERNANDES, 2011.
Estudos sobre as doenças parasitárias ainda contribuíram para as mudanças na compreensão das enfermidades infecto-parasitárias permitindo que estas fossem combatidas e suas taxas de infestação diminuídas de forma mais eficientes nos países desenvolvidos e menos adequadamente nos países subdesenvolvidos e emergentes devido aos condicionantes socioambientais destas populações, assim foi possível compreender o Ciclo pobreza-doença (Fig. 02). Esse ciclo se estabelece graças à presença do agente etiológico, doença, educação insuficiente, baixos salários, moradia inadequadas, nutrição deficiente, má condições de higiene e sanitária.

No final do século XIX a noção de que o desequilíbrio ambiental (fragmentação de habitats, desflorestamento, extinção de espécies, etc) favorece as parasitoses e os patógenos zoonóticos (Fig.03) se fortalece demonstrando como a biodiversidade controla a transmissão de zoonoses e agentes infecciosos. Nos ecossistemas ocorrem associações entre diferentes espécies formando uma rede que interconecta todos os seres vivos mantendo um sistema complexo, dinâmico e assim equilibrado.
Quando a ação antrópica provoca impactos sobre a biodiversidade, tais como, desmatamento, agropecuária intensiva, mudanças climáticas etc, propiciam a transmissão de agentes etiológicos entre grupos de animais silvestres, animais domésticos e o homem onde se multiplicam e espalham-se entre outras populações, mais susceptíveis e que muitas vezes carecem de mecanismos eficientes para defesa contra estes patógenos (Fig. 04).

de zoonoses. Fonte: PNUMA/UNO, 2016

populações humanas e em animais silvestres e domésticos. Fonte:
KARESH et al., 2012
Por fim, não somente o aspecto parasita-doença deve ser considero. Quanto ao equilíbrio dos ecossistemas, a importância dos parasitas é reconhecida por atuar no controle das populações de hospedeiros impedindo que estes tornem-se abundantes demais e assim outras espécies podem existir em equilíbrio. O século XX é marcado pela globalização que dissolveu barreiras físicas entre territórios, conectou economias, interligou políticas, culturas e pessoas. O livre fluxo de pessoas de uma região do mundo para outra torna cosmopolita grande partes das doenças uma vez que, os limites físicos dos territórios são rompidos quando as pessoas se deslocam e carregam consigo os parasitas no interior do seu corpo. Surge portanto, o conceito de saúde global, onde o mundo interconectado deve garantir a saúde para todas as pessoas do planeta.
Parasitologista e Área de atuação
Atualmente o parasitologista dedica-se a entender os ciclos de vidas dos patógenos e vetores, o curso das infecções parasitárias, sua transmissão, sintomas, tratamentos, métodos diagnósticos, métodos de profilaxia, grupos susceptíveis, áreas de prevalência das parasitoses, identificar possíveis surtos e epidemias e os parâmetros socioambientais que envolvem estas doenças.
A atuação deste profissional se dá no ensino e pesquisas nas universidades ou instituições de pesquisas, intervindo na saúde coletiva em secretarias de saúde, no controle de zoonoses em unidades de saúde públicas, análises clínicas em laboratórios e hospitais além da medicina veterinária.
Referências
MUÑOZ, S.S & FERNANDES, A.P.M. Principais doenças infecciosas e parasitárias e seus condicionantes em populações humanas. Modulo 5. Projeto Licenciatura em Ciências. Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada (CEPA) do Instituto de Física da USP/UNIVESP.p.16, 2011. Disponivel em: ju0004_01.pdf(usp.br)
KARESH, W.B., DOBSON, A., LLOYD-SMITH, J.O., LUBROTH, J., DIXON, M.A., BENNETT, M., ALDRICH, S., HARRINGTON, T., FORMENTY, P., LOH, E.H., MACHALABA, C.C., THOMAS, M.J. and HEYMANN, D.L. 2012. Ecology of zoonoses: natural and unnatural histories. Lancet, 380(9857), 1936–1945. http://www.thelancet.com/pdfs/journals/lancet/PIIS0140- 6736%2812%2961678-X. pdf.
PNUMA, 2016. UNO Enverionmet Programme. ZOONOSES: Blurred Lines Of Emergent Disease And Ecosystem Health. UNEP FRONTIERS 2016 REPORT. Disponível em: zoonoses.pdf(unep.org)
